A Grande Aposta (23/365)

Com O Lobo de Wall Street, Martin Scorsese colocou no meu imaginário e no de muita gente, como é um personagem de Wall Street. Em A Grande Aposta essa imagem é reforçada um pouco mais mas, com um pouco menos de intensidade e menos “dorgas”.

O que me chamou mais a atenção foi os personagens mais do que a história em si. Confesso que em alguns momentos, melhor, vários momentos, fiquei meio perdido nos termos e as tramoias que estavam rolando no filme mas, como as figuras de Wall Street agiam tornaram o filme interessante.

Jared Vennett (Ryan Gosling) é quem introduz e, de certa forma, conduz a história do filme. Michael Burry (Christian Bale) é um excêntrico contador que trabalha de camisa de malha e ouvindo Metálica no último volume e simulando uma bateria. Mark Baum (Steve Carell) frequenta grupos de auto ajuda devido à um problema misterioso e tem problema em esperar sua vez de falar. Ben Rickert (Brad Pitt) é um ex-contador que vive meio às trevas e entra apenas como conselheiro para uma dupla de jovens iniciantes em Wall Street. O interessante deste personagem é que ele é cheio das teoria, acredita que pode estar sendo monitorado e sai às ruas com máscara com medo de germes. Me lembrou o personagem de Pitt em Clube da Luta mas, mais covarde. Certamente Durden, agiria de forma mais ativa com relação à estes problemas.

A história é conduzida num rítimo muito rápido e com a inserção de letreiros, uma trilha sonora que grita nos nossos ouvidos e muitas vezes nos assusta (de propósito). Não se preocupa em quebrar a quarta parede fazendo com que os personagens conversem diretamente com nós expectadores e buscando personalidades para nos explicar o que está acontecendo. Me lembrou bastante o ritmo de A Rede Social e me fez ficar pensando que seria um bom roteiro para David Fincher. Certamente vou assistir de novo muito em breve.

Brooklyn (22/365)

Brooklyn é o típico drama que concorre ao Oscar anualmente. Um drama que usa algum momento histórico americano como pano de fundo para alguma história. Nesse caso, acompanhamos a saga da jovem imigrante irlandesa Eilis (Saoirse Ronan) que se muda para Nova York em busca de novas oportunidades na vida.

De primeiro, o filme me pegou pela protagonista que conseguiu passar bem o que é chegar em um lugar diferente, uma outra realidade e não saber como reagir. Principalmente para ela que veio de uma cidade do interior onde todo mundo conhece todo mundo e sabe da vida de todos. Essa dificuldade inicial faz com que as pessoas tenham uma impressão bem diferente do que ela é. Quando ela finalmente se sente a vontade em seu novo lugar e mostra quem realmente é, fica espantoso sua real personalidade e como as pessoas passam a tratá-la.

Outra coisa que achei interessante foi a difícil missão que todos encaramos em algum momento da vida de deixar o ninho da casa dos pais e seguir nossa própria vida. Principalmente para os que são mais ligados aos pais como Eilis. O filme consegue estampar isso bem ao mostrar as dificuldades que a personagem encara na vida e captura bem esse momento de ficar dividido entre as duas direções.

Parabéns também para Saoirse Ronan que sua cara meio que de “nada” funcionou muito bem e soube trabalhar muito bem os momentos em que tinha de mostrar a cara de alguma coisa. Susto também foi quando, depois de ver O Regresso e Star Wars, Domhnall Gleeson também aparece aqui. O pior que ele também está em Ex-Machina que é um dos próximos filmes da minha lista de carnaval. Como diz o meu pai: “deve tá ganhando mó grana esse cara”.

Você aqui de novo, cara?

O Regresso (20/365)

O Regresso é talvez o filme mais falado dos indicados do Oscar. Grande parte é a “zueira” de mais uma indicação de Leonardo DiCaprio ao Oscar e seus probleminhas com um ursinho. Mas, o filme é bem mais que isso (ainda bem).

Logo no início você já tem um vislumbre de para que o filme veio. Uma cena intensa de ação com planos sequencia muito bem feito que me deixaram pensando “como eles fizeram isso?” O filme para mim, mostrava que, quando aquelas coisas aconteceram de verdade (o filme é baseado em fatos reais) foi exatamente dessa forma. As poses não são coreografadas e nem tem música para sublinhar os acontecimentos. Em muitos momentos, em se pensar em clichês de filmes de ação, as cenas ficam até feias. Mas, o filme é mais que ação, é uma história de sobrevivência mesmo. A ação está em momentos específicos.

Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é o nosso mocinho. Passamos o filme torcendo por ele e somos ensinados a odiar John Fitzgerald (Tom Hardy) mas, em alguns momentos ficava em dúvida em qual achava mais interessante. Logo de cara fica bem sublinhado que Glass é um cara bom, sendo um branco viveu entre os índios e tem uma forte relação com eles. Fitzgerald porém, é o oposto, simboliza tudo que você já ouviu falar sobre os que usaram e abusaram dos “pele vermelha”. Porém, o que me chamou a atenção é que ele é também um instinto de sobrevivência. É dele que, o que era apenas um pensamento na cabeça de todos, se torna voz. É ele que, depois de, por sorte, alguns homens se salvarem de um ataque indígena, a fala que carregar um homem que provavelmente não irá sobreviver, gritando de dor, em meio à uma floresta cheia de índios não é uma boa ideia, é necessário se livrar disso. É claro que ele vai fazer isso da pior forma possível e nós, expectadores bonzinhos que somos, vamos torcer contra mas, imagine você nesta situação, ao menos em um minuto não pensaria o mesmo?

Dentre os indicados ao Oscar de melhor filme que vi até agora, acho que ele leva o prêmio. Ele leva o cinema a sério. O que o diretor busca é fazer o espectador participar o máximo possível da torturante experiência de sobrevivência junto com o DiCaprio. E ele faz isso sem muitos diálogos e apenas a ação dos personagens que nos indica o que está acontecendo.

Fotografia e direção de arte também estão de parabéns. Feridas, suor, neve e barba emaranhada estão muito bem feitas. Você tem de fazer um esforço bem grande para lembrar que aquilo tudo é maquiagem. A câmera se mostra bem atenta e busca momentos intensos para nos jogar dentro dos acontecimentos. Além de, em alguns momentos, termos a impressão de que ela irá se chocar com o rosto dos atores de tão próxima que ela chega.

Eu ainda sigo torcendo para que Mad Max leve o prêmio de melhor filme mas, se O Regresso levar também está de bom tamanho. DiCaprio também merece, carregar um filme quase que sozinho nas costas também não é fácil mas, devido à seu histórico, vamos saber mesmo só no dia 28 de fevereiro.